quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Nunca deixe a porta aberta (conto de terror)


Nunca deixe a porta aberta.
Meus dedos tamborilam no apoio da cadeira. Há um homem velho, visivelmente tomado pela idade, que me encara. Como se quisesse arrancar algo de mim. Como se pudesse arrancar algo de mim. Não sou eu que crio o ritmo das batidas. Um. Dois. Três. Bate. Um. Dois. Três. Bate. Sigo apenas o som que meu pensamento emite. Faço apenas o que sou induzida a fazer. Não sou eu quem faz o ritmo. Sou eu, minha querida, quem te comanda. Ele me pergunta onde estava no sábado passado. E repete. E repete. Repete a mesma pergunta em um ciclo vicioso enquanto minha vontade é cravar as unhas em seu pescoço e gritar que nem sei se eu estava aqui no sábado passado. Porque ela estava. Sei o que comi no almoço. Mas não consigo me lembrar o porquê de não estar na minha própria cama durante a manhã. Acalme a respiração. Um. Dois. Três. Bate. Um. Dois. Três. Bate. Por que você é tão fria, querida? Parece que não sente nada. Ele me diz. Talvez eu tenha desejado tanto ficar gelada que realmente consegui, é o que quero dizer. Mas ela me obriga a ficar quieta. Um. Dois. Três. Bate. Ficamos nos encarando por longos minutos. Quero que o tempo acabe. Preciso voltar para a casa e aproveitar o curto período de tempo em que quem faz o ritmo sou eu. Voltar para a segurança de saber o que de fato estou sabendo. Mas ninguém precisa saber. Ninguém precisa saber. Os sons misturam-se em minha cabeça e escuto meu pai gritando enquanto estava com uma faca na mão. Escuto o som quase inaudível das lágrimas caindo na calçada. Sinto o mesmo medo que senti quando consegui focar o meu corpo todo cheio de sangue. O sangue que não era meu. Como saí correndo até a casa e não encontrei minha mãe e como meu pai gritava comigo. O que você fez, menina? O que você fez? Mas não era mamãe. Era apenas um cachorrinho. Aquele que ganhei no natal. É um treinamento. Quem é você?! Quem sou eu? Sou o seu lado escuro. Talvez eu tenha aberto a porta. Talvez... Talvez.... Eu te deixei entrar, não deixei? Um. Dois. Três. Bate. Um dois três bate um dois três bate. Um. Dois. Três. Bate. Não gosto do jeito que ele me olha. Ele sabe, é claro que sabe. Senão você não estaria aqui. Quero que saia daqui. Quero que vá embora!!!! Você pediu para que eu viesse. Você pediu para que fosse gelada. Você desejou a morte deles e estamos trabalhando nisso. Eu não pedi a morte de ninguém. Eu... só... Um. Dois. Três. Bate. Retiro as minhas palavras. Perco minha alma, perco meus sentidos. Porque você nunca foi você de verdade. Todo mundo tem o seu lado escuro e eu sou o seu.
Pego o bisturi escondido no elástico da calcinha e deixo que o sangue espirre em minha roupa. Não sinto nada. Mas algo me incomodava no sorriso dele.

Como não consegui fazer nada a tempo do halloween e esse é meu feriado preferido, resolvi improvisar um tanto quanto atrasa e fazer o meu conto de terror. Acho que ta valendo, né?! Espero que tenham gostado. 
PS: Nunca deixem a porta aberta.

20 comentários:

  1. Olá!
    A-D-O-R-E-I o conto! Sou muito adepta a literatura de terror, adoro ler essas coisas! Você escreve bem, parabéns!!
    Beijos, Tabatha
    http://aproveiteolivro.blogspot.com/

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  2. Que conto tenso!!! Sou fã de terror e fiquei tensa principalmente com a tensão contida nas batidas ritmadas, ficou assustador e bem criativo parabéns super valeu a pena visita aqui em seu blog, continue escrevendo ;)

    Www.clubedolivro15. blogspot. com

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  3. Olá!
    A conto é bem legal, apesar de eu não gostar muito de terror. Esse foi muito bem escritora.
    Beijinhos!
    http://eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  4. Olá, Beatriz.
    Parabéns, o conto está ótimo. Eu fiquei aqui numa aflição para saber o que ia acontecer hehe. E que final? Adorei!

    Blog Prefácio

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  5. Olá! Acho que é minha primeira vez aqui. Não sou muito adepta de histórias de terror. heheh, mas o gostei da sua escrita. o conto ficou muito bacana. O final eu não captei muito bem. Mas depois lerei novamente!

    Um abraço!
    Pensamentos Valem Ouro

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  6. Ola Beatriz

    Parabéns pelo conto, adorei e que tensão essas batidas, Uma final perfeito para o tema.

    beijos

    Joyce
    www.livrosencantos.com

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  7. Oi!
    Adorei o conto! Apesar de não ser fã de terror a sua escrita me prendeu, vc escreve muito bem!
    Bjos

    Every Little Book

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  8. Que final foi esse? E que conto? Muito doido e quando falo doido é uma coisa boa viu. Meus parabéns pela criatividade, super gostei muito do que tu escreveu.

    bju
    http://www.ventoliterario.blogspot.com

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  9. Ótimo, deu um arrepio.
    Sim está valendo, o importante é ser de terror e o seu conto foi.

    Parabéns, Carla Fernanda

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  10. Caraca, hehehe
    Tu já pode escrever um livro, hein! Olha que não gosto de terror e adorei o conto, vou mandar o link pra uma amiga ver e ler. rsrs

    Beijos
    http://apaixonadaporleiturass.blogspot.com.br/

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  11. Olá,
    Muito bom seu conto, mais um pouco de lapidação e você podia tentar lapidar, gostei muito da sua protagonista e o passageiro sombrio dela ^^

    www.poyozodance.blogspot.com.br

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  12. Vamos escrever um livro?? kk
    Já tem uma leitora aqui, pensa com carinho. rs

    Gostei bastante.

    Beijooos;**

    http://www.paixoniteliteraria.com.br/

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  13. Nossa, que conto!!!!
    Gente vc escreve muito bem ...parabéns! e olha que eu não gosto de terror!!!

    bjs

    Eu Pratico Livroterapia

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  14. Oláá
    Nossa, que texto incrível haha eu adoro terror e você conseguiu me deixar bem aflita aqui, principalmente esse final, uaau hahaha

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  15. Que conto intenso! Adorei *o*
    Parabéns pela escrita!

    beijo
    paperdream-s.blogspot.com.br

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  16. Olá!

    Achei que o conto é mais pro suspense que pro terror, mas ele está bem escrito, parabéns e, se puder, continue escrevendo, você o faz muito bem!

    resenhaeoutrascoisas.blogspot.com

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  17. Oi Beatriz, sua linda, tudo bem
    Que horror, risos... Eu entendi que ela ia matar toda a família a comando de uma voz, que é o lado ruim dela. Achei assustador, pois foi ela que chamou esse lado ruim, ela que abriu a porta como você disse, ela pediu para ser fria, e o que eu não quero entender, pois quero distância, é como ela conseguiu trazer o lado ruim. É como se tivesse criado uma outra personalidade para poder matar, como se precisasse de alguém dando as ordens (eu vejo muito filmes policiais e séries também, adoro). Gostei do seu texto.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  18. Olá Bia!
    Que conto FANTÁSTICO! Adorei.
    Adorei o fato de você ter criado a voz como o lado ruim dela, isso todos nós temos e, muitas vezes, damos ouvidos.
    Achei bastante criativo.
    Escreva mais!
    Beijos
    Um Oceano de Histórias

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  19. Primeiramente tenho que te dar os parabéns, porque vocÊ escreve muito bem em?
    Adorei o seu texto. Mas eu sinceramente já não curto essa época. Sou bastante diferente da maioria, mas mesmo assim tem umas coisas bem legais. Eu achei super criativo o que você escreveu e gostaria de poder ter o dom de escrever cronicas e contos, porque eu acho muito legal quem sabe =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/11/resenha-amor-em-jogo.html

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  20. Oiee.

    Parabéns pelo conto, mesmo que improvisado ficou super legal.
    Espero que continue a escrever e amadurecer mais e mais a cada dia, pois no proximo teremos um conto super legal quanto este

    Beijos da Fê
    As Catarina´s

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Criado por: Mariely Abreu | Todos os direitos reservados ©. voltar ao topo