segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Resenha: Cinderela Chinesa - Adeline Yen Mah

Editora: Seguinte
Ano: 2006
ISBN: 9788535908459
Páginas: 176
Nota: 4/5

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Essa não é só uma história que, de fato, se assemelha muito com a de cinderela - de um modo mais revolucionário para os padrões da época - mas também um grande grito para todos os filhos que foram renegados. A família está lá. Os pais estão lá, mas fingem não estar.

"Tia Baba me disse que a vida de Nai Nai tinha evaporado como um sonho de primavera. Dava pra ouvir os grilos cantando lá fora no calor do verão, e os vendedores ambulantes anunciando seus produtos na calçada lá em baixo."

Adeline Yen Mah conta sua própria história durante a infância e o início da pré-adolescência, fazendo um salto para a fase adulta posteriormente. Sua mãe morreu logo após o parto e todos culpam a pequena Adeline por isso. Ela nunca conheceu a mãe e também foi proibida de ver qualquer foto. Só lhe restava sua tia Baba e Ye ye.

"Naqueles poucos momentos, nós entendemos tudo. Não só sobe Niang, mas sobre todos os adultos. Agora que Nai Nai tinha morrido, não havia mais dúvidas sobre quem estava no comando."

Teve que se mudar para a casa de seu pai e sua madrasta, Niang, junto com seus irmãos. O casal filho de Niang era extremamente bem tratado, enquanto Yen Mah e seus irmãos eram tratados com extrema indiferença ou como se fossem pesos. Mas na verdade, quem mais pesava era ela, a Cinderela chinesa, por ter pensamentos diferentes, por se destacar quanto a alma - que era muito bonita.

"Para mim, escrever era puro prazer; me emocionava ser capaz de escapar dos horrores de minha vida diária de um jeito tão simples. Quando escrevia, eu esquecia que era uma filha indesejada que provocara a morte da mãe."

Ficava feliz quando ganhava algum prêmio no colégio, seu pai finalmente se orgulhara. Mas era automaticamente tirada do prazer quando sua madrasta e os irmãos a diziam para parar de se gabar e xingavam.


Não há muito o que dizer sobre a narrativa ou personagens. É um livro que anda devagar no início, mas depois deslancha. A leitura passa a ser fluida e mais interessante. Posso dizer que depois de muito, muito tempo, chorei com um livro.

"Embora eu estivesse nervosa e calada porque fazia apenas três dias que tia Reine havia me tirado da São José, ri bem alto. Era esse o efeito de Victor sobre as pessoas. Ele e Claudine me puseram à vontade assim que os conheci."

Também adorei as partes sobre o dialeto chinês. Como alguém pode falar a língua fluentemente, mas não conseguir escrever nada - e vice-versa.
Em suma, Cinderela chinesa é um livro que me surpreendeu. Li para o clube da leitura com poucas expectativas, mas não é que me arrancou lágrimas?! É bastante angustiante ver pelo que ela passou, sabe? Não costumo gostar de finais "felizes para sempre" motivadores, mas, dessa vez, acabou como deveria ser.

"Primeiro você tem que de acreditar que é capaz de fazer qualquer coisa que quiser. Lembre-se: gênio é dez por cento inspiração, noventa por cento transpiração."

Não é o melhor livro do mundo, é um pouco infantil as vezes - principalmente no início. Mas é um bom livro, vale a pena dar uma chance, sim.

2 comentários:

  1. Ainda não conhecia o livro, mas a premissa é muito interessante, já quero ler, ótima resenha.
    Abraços
    http://litaralmentelivros.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi!
      Leia sim, é um livro que com certeza ensina muito!!
      Beijos

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Criado por: Mariely Abreu | Todos os direitos reservados ©. voltar ao topo