quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Resenha: Fragmentados - Neal Shusterman

Editora: Novo Conceito 
Ano: 2015 
ISBN: 9788581635194
Páginas: 368
Nota: 4/5

Se seu corpo fosse inteiramente fragmentado. Seus braços na Itália. Seus olhos na Escócia. As pernas no Brasil. Você continuaria vivo?!

Houve uma guerra. As pessoas egoístas não doavam órgãos após sua morte. Tudo resultou na fragmentação. Uma vida não pode ser tocada até os 13 anos. Porém, dos 13 aos 18 os pais podem assinar um contrato de fragmentação. Isto é, a vida estará ali, fragmentada. Um indivíduo prestes a ser fragmentado será futuramente cortado em pedaços. Seus olhos poderão fazer parte do rosto de um ex-cego. Suas mãos poderão tocar piano para alguém que as perdeu e nunca teve essa habilidade. Isso aumentou o número de cegonhas - isto é, mulheres que abandonam os filhos nas portas de casas alheias. Acho que, no fim das contas, a grande questão do livro é: essa é realmente uma solução plausível? a fragmentação é correta? Amo a maneira sobre como a questão do aborto é abordada nas entrelinhas. Ela está ali, presente, um grande questionamento para o qual não há apenas uma resposta correta.

" (...) Há uma chance maior de que alguma parte minha alcance a grandeza em algum lugar do mundo. Eu prefiro ser parcialmente grande a ser completamente imprestável."

Refletimos sobre esses fatores ao acompanharmos a vida dos três protagonistas. Connor, que encontrou uma carta de fragmentação e, então, fugiu de casa, tendo em vista continuar assim até os 18 anos. Risa, que era uma grande pianista - mas não tão boa quanto deveria ser - acaba tornando-se uma fragmentária que logo cederá suas mãos para que alguém possa tocar o instrumento, conhece Connor durante a fuga. Assim como Lev. Porém, esse garoto é diferente e muito importante. Enquanto os outros dois são fragmentários fugitivos, Lev é um dízimo - o décimo filho que deverá ser fragmentado seguindo a vontade de Deus - e aceita completamente a fragmentação. Esse já é um grande ponto forte da história. Geralmente em distopias assim, sempre existem os protagonistas que querem lutar contra o governo, mas nunca mostram algum que concorde - pelo menos é muito difícil.

"E foi aí que eu percebi que as pessoas que estavam chorando eram as mesmas que haviam passado o bebê de porta em porta. Eram elas, assim como os meus próprios pais, que haviam ajudado a matá-la."

Não há muito o que dizer sobre o enredo em si. Ele é bastante ágil e te prende na leitura, mas não foi o que me chamou a atenção. Devo dizer que Fragmentados é um livro bem estranho, diferente. E isso o fez se destacar entre as distopias. Os questionamentos, as provocações presentes ali tão sutilmente me fizeram pular.


Algo que me chocou - e me fascinou - bastante é uma situação bastante presente na sociedade atual. É uma grande analogia. Uma determinada pessoa que sofreu um acidente e, vamos supor, perdeu os dois olhos, comprará olhos de um fragmentado, Porém, isso depende do dinheiro. Caso não haja suficiente, ela terá de adquirir dois olhos cegos.

"(...) As pessoas não são completamente boas nem completamente ruins. A gente passa a vida toda entrando e saindo das sombras e da luz. Neste momento, eu estou feliz por estar na luz."

É por essa grande analogia a sociedade atual, misturada com uma crítica velada - as vezes não tão velada assim - e questionamento que realmente te fazem questionar, que Fragmentados conquistou um lugar especial entre as distopias. Com certeza é um livro que se destaca.

"Para batedores que foram levados a acreditar que seus atos são aprovados por Deus, a mentira se veste em mantos sagrados e tem braços abertos prometendo uma recompensa que nunca virá.
Para batedores que creem que seu ato de alguma forma causará uma transformação no mundo, a mentira se disfarça como uma multidão que os encara do futuro, sorrindo e apreciando o que fizeram.
Para batedores que procuram apenas compartilhar sua desgraça pessoal com o mundo, a mentira é uma imagem deles mesmos livres da dor ao testemunhar a dor de outros.
E, para batedores que são guiados pela vingança, a mentira é uma balança da justiça, na qual ambos os pratos pesam o mesmo, finalmente equilibrados."

8 comentários:

  1. Oii, tudo bom?
    Tenho o livro para ler aqui e confesso que em sua resenha achei a história estranha, já estou empolgada para ler e ao mesmo tempo com medo do que vou encontrar ali hahaha, espero que será uma leitura diferente que falha a pena ter lido, parabéns pela resenha :D
    Beijos
    www.doceliterario.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Amanda! Tudo bem e você?
      A história é completamente estranha. O livro inteiro é estranho. Estranho não, exótico. Mas esse é justamente o ponto mais positivo da história. Não tenha medo, será um novo universo a ser explorado, mas é muito muito bom!
      Obrigada :D
      Beijos!

      Excluir
  2. Estou loucaaaaaaaaaaaaaa pra ler esse livro! Adorei sua resenha e eu nem sei muito bem o que dizer, só sei que quero muito lê-lo! haha

    http://anneandcia.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Aneeee!!
      "Não sei o que dizer, só sentir" lembrei disso haha
      Leia sim, você vai gostar!
      Beijos!

      Excluir
  3. Oi, Beatriz!
    Finalizei a leitura de Fragmentados ontem e só precisei de uma madrugada e uma tarde, pois o livro realmente me prendeu!
    É uma distopia tão diferente, fora do padrão das que encontramos ultimamente. Fazia tempo que não me animava tanto com uma... desde Jogos Vorazes!

    Abraços,
    http://claqueteliteraria.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Lucas!
      O livro prende mesmo, né? As vezes cansa um pouco por ser um tanto quanto complexo e exótico, mas é quase impossível não gostar. O fora do padrão com certeza é o que faz esse livro ser digno de ter um lugar na estante e entrar na cabeça!
      Beijos!!
      http://www.vivendonoinfinito.com/

      Excluir
  4. Eu sinceramente não me senti muito interessada em ler esse livro quando ele foi lançado.
    Eu solicitei ele para minha colaboradora Agatha fazer a leitura. Espero que ela goste, mas eu gostei bastante
    da sua resenha, até porque você abordou muito bem sobre a história e tenho que te dizer uma coisa, adorei a maneira como você escreve. Tu escreve muito bem viu? Eu admiro muito isso. É gostoso até de ler a resenha toda. Parabéns =] Espero poder ainda ter a chance de ler, mas não sei se leria não. Fiquei com um pouco de receio hehehehehe

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/08/lancamentos-editora-novo-conceito.html

    ResponderExcluir
  5. Olá Beatriz,
    Quando soube desse lançamento e li a sinopse, fiquei tentada a lê-lo, pois achei que o livro conteria uma critica bem grande e sua resenha confirmou isso.
    Adoro distopias, pois elas trazem críticas que tentamos ignorar e é um livro que eu leria com certeza.
    A sua resenha está muito bem escrita e aumentou a minha vontade em ler.
    Beijos ♥
    Um Oceano de Histórias

    ResponderExcluir

Criado por: Mariely Abreu | Todos os direitos reservados ©. voltar ao topo