segunda-feira, 6 de julho de 2015

Resenha: A cidade murada - Ryan Graudin


Editora: Seguinte
Ano: 2015
ISBN: 8565765636
Páginas: 400 
Nota: 5/5
Se olhar para o céu, não verá estrelas.

A cidade murada de Hak Nam é um local abandonado pelo governo que, após uma briga política, simplesmente continuou existindo e crescendo, em um ambiente completamente deplorável. É um local cheio de becos, ruas estreitas, prédios e mais prédios que tapam todas as passagens. É difícil até ver o céu, respirar ar puro. É ali que vivem os traficantes, as prostitutas - que, na maioria dos casos, foram vendidas pelos pais, os marginais, pessoas pobres, gente que não tem onde morar e sobrevive com o pouco que tem. As ruas imundas, cheias de ratos, baratas e gente podre. No meio de tudo isso estão Jin Ling, Mei Yee e Dai. O destino os levou para essa cidade e agora eles precisam sair. Vivos e de missão cumprida.

"Mas esta é a Cidade Murada de Hak Nam, e quem manda aqui é o medo. É a lei do mais forte."

Jin Ling é irmã mais velha de Mei Yee, ambas levavam uma vida relativamente tranquila nas fazendas de arroz. Relativamente, se não fosse pelo pai desgraçado, que sempre arrumava motivos para bater nas filhas e na esposa, porém, Jin nunca deixava e acabava levando a surra toda sozinha. Até que, para conseguir dinheiro, o pai vendeu Mei Yee, que foi buscada por uma van com ceifadores, em direção ao futuro pesadelo. O bordel do homem mais importante da Irmandade do dragão vermelho: Longwai. Jin Ling a seguiu até a cidade murada, porém a perdeu e nunca mais a viu. O grande objetivo sempre foi encontrar a irmã e fugir dali, em direção a liberdade. Cortou os cabelos, colocou uma máscara de menino e começou sua busca que durou anos.

"Crianças morrem todos os dias nestas ruas - vidas roubadas por fome, doenças ou facas. Não posso salvar todas. E, se não mantiver a cabeça baixa e fazer o que precisa ser feito em dezoito dias, não vou conseguir salvar nem minha própria pele."

Dai também perdeu o irmão e, no início, tudo o que sabemos é isso. Ele não é um garoto convencional, não parece um marginal. Acaba recorrendo a Jin para traçar seus planos. O fato é. Faltam 18 dias para uma coisa acontecer, algo que irá mudar a vida de todos ali.

"Não consigo olhar quando a agulha entra com força em suas veias. Quando seus gritos cessam e finalmente olho, a seringa não está mais lá e Sing está no chão, estatelada e trêmula. As sombras do salão se aglomeram sobre seu corpo retorcido, fazendo-a parecer quebrada."

A cidade murada é um livro definitivamente incrível. A história é muito bem pensada, os detalhes se encaixam e a autora deixa um suspense até o final. Não consegui parar de ler até terminar. Tudo é muito sórdido e direto. É um livro feito para chocar e dar um belo tapa na cara, mas também mostrar que mesmo no meio do caos, da sujeira, ainda é possível sentar na sarjeta e olhar as estrelas.
Fiquei completamente agoniada em vários momentos, queria entrar no livro e socar pessoalmente alguns certos personagens. Sabe quando sobe algo em você? Uma raiva misturada com impotência? Foi isso que aconteceu, quase que o tempo todo.
A narrativa é bastante linear, o objetivo é o final. Mas, ao longo da história, várias coisas acontecem, vários segredos são revelados. O leitor fica preso ali naquele mundo. Os diálogos são muito inteligentes e a escrita da autora é ágil, direta, objetiva, mas ao mesmo tempo não deixa de provocar reflexões - e angustia.

"Quando olho pra cima, perco o fôlego. No alto... não tem nada. Só um trecho escuro, longínquo, de céu. Se olhar com atenção, posso até ver algumas estrelas. São fracas e parecem lascadas. Quebradas. Todas as constelações, tanto as de verdade quanto as que inventei, têm um pedaço faltando. Despedaçadas pela presença devastadora da cidade."

A coragem de Jin me impressiona, a sua maneira protetora, mas ao mesmo tempo forte, muito forte. Mei Yee também possui uma força descomunal, eu jamais conseguiria aguentar tudo o que ela aguentou. E Dai é aquele héroi vilão, sabe? Que possui muitas e muitas falhas, mas ainda assim, faz de tudo pra consertar os erros e acaba tendo que aceitar as cicatrizes que a vida deixou.
A vida das garotas prostitutas foi muito bem construída e relatada. Parece que conseguia sentir o cheiro de ópio no ar. E como, no fim das contas, quando você se acostuma com a escuridão, aquele parece ser o seu lugar, mesmo que não seja.
Nem preciso dizer que as cenas do bordel mexeram muito comigo né?! Principalmente quando se tratava de uma tal de SingMorre, Longwai.


"Com Kuen e suas facas, eu posso lidar. Desviar, fugir, me esconder. É o bastante. Mas Dai... é um tipo diferente de perigo. Feito de doçura, sono e segurança. Do tipo que surge durante os sonhos. Apunhala pelas costas."

Claro que toda essa história possui uma grande revelação por trás e eu posso dizer que me surpreendi bastante, tentei pensar, pensar e pensar, mas não cheguei nessa conclusão. Sensacional!
Não posso revelar muito na resenha, mas preparem as estruturas antes de entrar na cidade murada!! Super recomendo esse livro, leiam assim que possível! E se você já leu, me conta o que achou aqui em baixo ;)

Um comentário:

  1. OOi,
    Parece ser um ótimo livro, não tinha visto resenha sobre ele ainda, mais tiro ótimas impressões dele... Amei o blog ! Seguindo aqui!

    Abraços
    Um sujeito qualquer
    umsujeitoqualquer.blogspot.com.br

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