quarta-feira, 27 de julho de 2016

Resenha: O segredo de Ella e Micha - Jessica Sorensen


















Editora: Geração editorial
Ano: 2014
ISBN: 9788581301822
Páginas: 264
Nota: 3/5

O amor vai vencer?

O livro conta a história da protagonista Ella, que após a morte de sua mãe e um acontecimento envolvendo uma ponte, resolve fugir para Las Vegas e cursar a faculdade, deixando para trás a sua "vida antiga", junto com seu pai alcoólatra, seu irmão e Micha, seu melhor amigo - com quem vivia uma espécie de romance mal resolvido. Lá, ela faz uma nova amiga, porém essa amizade é concretizada após uma transformação completa de personalidade. A Ella explosiva, sombria e sarcástica passa a ser uma garota leve e calma. Entretanto, quando a protagonista volta para sua cidade natal e encontra Micha, é obrigada a reviver todo o passado e acaba aprendendo a encontrar um equilíbrio entre as duas personalidades. Ao longo do livro, a garota vai aprendendo a lidar com seus sentimentos. Além disso, o tal romance se desenvolve.

"Detesto espelhos. Não porque eu odeie o meu reflexo nem porque eu sofro de eisoptrofobia. Espelhos enxergam além da imagem. Sabem quem eu fui; uma garota que falava alto, negligente, que mostrava a todo mundo o que sentia. Não havia segredos. Mas, agora, eles me definem."

Não sei dizer muito bem se a história me agradou. É algo bem rápido de se ler, mas senti que foi o equivalente a nada. Apenas um romance de entretenimento completamente vazio. A história trata de temas pesados, como por exemplo, o suicídio, de uma forma extremamente sutil, leve e pior, superficial. A pior parte da história é narrada em praticamente um parágrafo e não há nenhuma mísera reflexão sobre isso. Ok, até existem reflexões e quotes que te fazem pensar. Mas sabe quando poderia ser mais?!

" – Toda vez que estou feliz, você sempre pergunta se estou bêbada ou algo parecido. As pessoas podem ser felizes sem a ajuda de certas substâncias. 
(…)
– A maioria das pessoas pode, mas nem todas."

O romance é extremamente clichê - mas isso eu já esperava - e surreal. Não consegui me identificar em nenhum momento e nem torcer para o casal principal. O casal secundário é muito mais interessante.
Apenas recomendo esse livro para aqueles que buscam algo para passar o tempo, pois não é nada profundo. Pelo contrário, é extremamente raso. Porém, divertido.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Fluorescente.


Ela estava esperando do outro lado do mar. Ficava se perguntando quantas ondas passaram no período de tempo em que ela estava ali, parada. E em um instante, em um piscar de olhos, a onda não era apenas uma onda. Parecia estar maior e mais brilhante. Fluorescente. Havia alguém ali no meio daquele túnel formado pelas águas. A garota, que antes tinha medo de se molhar, simplesmente entrelaçou suas mãos com os dedos que atravessavam as águas e se jogou. Foi um mergulho doloroso e só aconteceu porque ela se permitiu, por um instante, mergulhar. E foi contra seus medos. Simplesmente deu a mão para quem estava ali. E foi.
E se eu te dissesse que a onda me trouxe você?!

terça-feira, 5 de julho de 2016

A Rebelde Do Deserto - Alwyn Hamilton

Editora: Seguinte
Ano: 2016
ISBN: 9788565765992
Páginas: 312
Nota: 3/5

Que tipo de pessoa você é quando deixa alguém para trás?

Amani é uma das habitantes do deserto de Miraji. Seus pais morreram e agora a garota mora com a tia, porém sofre muito nas māos da única família que sobrou. Segundo as normas da sociedade, deverá casar-se com alguém bem mais velho em breve. Porém, Amani nāo aceita tais regras obsoletas e seu maior desejo é fugir para Izman, onde sonha em encontrar uma tia, amiga de sua māe. 
Enquanto isso, uma guerra acontece. Um príncipe rebelde que anuncia um novo deserto, uma nova aurora, novas regras e uma nova conduta. O exército gallan e do general estāo contra ele e os djinnis - humanos que possuem alguns poderes.


"Era muito difícil confiar num garoto com um sorriso daqueles. Um sorriso que me dava vontade de acompanhá-lo até os lugares sobre os quais havia me contado, mas ao mesmo tempo me deixava certa de que eu não devia fazer isso."

Em um concurso de tiroteio que Amani frequenta para ganhar dinheiro - vestida de menino, claro, denominando-se Bandido dos olhos azuis - ela conhece Jin. A partir daí, a trama se desenvolve. Ela acaba tendo que escolher muito bem em quem confiar e também quem abandonar. Além disso, uma reviravolta acontece e muda os rumos da história.

"Diziam que só pessoas mal-intencionadas andavam pela cidade de Tiroteio depois do anoitecer. Eu não tinha más intenções. Nem boas."

A trama é ágil, porém extremamente confusa. Não é um confuso saudável que, ao longo do livro, o leitor entende o universo criado e liga a história. É um confuso que permanece durante toda a narrativa e distancia o leitor do livro. O que é uma pena, pois o universo criado pela autora parece ser muito inteligente e foi apresentado de forma muito drástica, de maneira que não consegui entender praticamente nada.

"- Você é este país, Amani - ele disse, mais baixo agora. - Mais viva do que qualquer coisa deveria ser neste lugar. Toda feita de fogo e pólvora, com um dedo sempre no gatilho."

Além disso, muitos personagens foram inseridos na história e nenhum deles, além dos protagonistas, foram bem aprofundados. Isso deixou a narrativa rasa e meio sem sentido - uma vez que determinado nome aparecia uma vez e, quando aparecia de novo, já não sabia a quem ele pertencia.
Mas, tirando esse problema, tudo é bem dinâmico no livro e não te faz querer parar a leitura. Gostei da maneira como Amani foi desenvolvida, apesar de ter me irritado com ela certas vezes. Ela é uma protagonista forte e independente, sou apaixonada por personagens assim. Gosto de como ela deixa algumas pessoas pra trás, e depois passa a não deixar mais. A autora soube muito bem como inserir o sentimento dentro dela e como tudo a mudou. Esse crescimento com certeza é a melhor parte do livro.

"Eu tinha passado a vida sonhando que minha história começaria quando finalmente chegasse a Izman. Uma história escrita em lugares distantes com os quais eu nem sonhava ainda. No meu caminho até lá, eu me livraria do deserto até não sobrar nenhum grão de areia para marcar as páginas."

Não sei se recomendaria A Rebelde do Deserto, provavelmente não. Tenho uma certa dificuldade em lidar com enredos confusos, cheios de nome e pouca explicação. Também não tenho muita paciência de ficar anotando ou voltando nas páginas para ver quem é quem e coisa e tal. Mas, se você não se importar com essa confusão e complexidade e quiser tentar entender o mundo criado pela autora, te aconselho sim a ler A Rebelde do Deserto, por ser algo completamente diferente do comum no mundo literário.

domingo, 3 de julho de 2016

Quando Ela entra sem pedir

A vida tem uns momentos estranhos, não?! É como o clichê que todo mundo espalha por aí: vivemos em uma montanha russa, cheia de subidas e descidas. Mas elas esquecem de acrescentar os loopings, os giros, o momento em que você fica de cabeça para baixo, e claro, as surpresas. Porque cada momento desse é surpreendente. Cada mudança gera um sentimento diferente.
Nunca acreditei muito nessas coisas que acontecem de repente. Não do jeito como o universo me mostrou. Para mim, a morte viria de uma maneira gradual. Mas descobri da pior maneira possível que essa personagem não se comporta assim. Pois é, a personagem. A Morte, ironicamente, tem vida, e não bate na porta ou muito menos pede licença pra entrar. Ela simplesmente aparece e em um piscar de olhos leva um novo membro para o seu clube.
Se esse clube fica localizado no céu, no paraíso ou em algum lugar completamente escuro, sinceramente não faço ideia. Mas ele está cada vez mais cheio. Entretanto, é um tanto quanto desconfortante saber que esse lugar não é uma cadeira que pode atingir lotação máxima. Como uma sábia senhora disse, a vida também é um trem. As vezes, o trem para bruscamente e as pessoas simplesmente descem do vagão.
Esse não é um texto com pé e nem cabeça. Também não é um desabafo e muito menos cheio de sentimentos. A Morte traz um presente para quem vai e para quem fica. E não sei se isso seria um presente, de fato, mas algumas vezes, ela retira o sentimento das pessoas para que elas simplesmente não sintam. E quando são questionadas, respondem: não estou sentindo nada. E não é porque tem um vazio no peito ou significa indiferença, simplesmente não há sentimento. 
Nunca tive medo Dela. Mas também não sei se consigo lidar com os presentes que ela deixa. A gente tem que lidar, não é?!
Maldita seja.
Ou bendita seja?
Vai saber se o lado de lá não é melhor que o lado de cá.
Mas tem mesmo um lado de lá?
E é desse jeito confuso que esse texto termina. Como uma montanha-russa que é forçada a se encerrar porque há um pedaço de trilho quebrado no meio do caminho. Ou um trem que tombou.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A volta do canal

Siiim, o canal está de volta! <3
Depois de muito tempo sumida, nada mais justo que trazer a tona o assunto que causou esse sumiço. Nesse vídeo comento um pouco sobre as minhas impressões do primeiro semestre da faculdade em geral - e um pouco especificamente sobre meu curso (Publicidade e Propaganda ou Propaganda e Marketing).

segunda-feira, 27 de junho de 2016

[SERIES] Orange is the new black é meu mais novo vício

Eu, que sofria por esperar o hiatus gigante de todas as séries que assisto, agora me propus a esperar um ano por uma temporada inteira. Foi aceitando isso que comecei a assistir Orange is the new black. Uma certa pessoa - que sabe quem é - conseguiu me convencer a assistir até, pelo menos, o segundo episódio. Resolvi aceitar o desafio, pensando que não iria gostar - já que da primeira vez que assisti ao piloto, odiei. Porém deveria ter tentado melhor anteriormente, porque nem eu sei explicar o nível de vício que essa série está conseguindo me proporcionar. O resultado do desafio? A partir do segundo episódio, já não conseguia mais parar de assistir.
É, eu sei que estou extremamente atrasada, mas nunca é tarde demais, não é?! Por enquanto, estou na segunda temporada, mas pretendo chegar logo ao final da quarta - e depois sofrer com o maldito hiatus.
Aqui vai um breve resumo para quem não conhece OITNB passar a conhecer - e assistir, por favor!
Piper Chapman foi condenada por 15 meses devido a tráfico de drogas. Sua ex-namorada foi a responsável por entregá-la. Então, a mulher, que estava vivendo um momento feliz com seu noivo Larry, se vê obrigada a abandonar tudo e passar a conviver com as detentas de Litchfield. Lá, ela vai encontrar figuras muito diferentes e autênticas, como Red, Crazy eyes, Nicky e, para sua surpresa, a ex-namorada, Alex Vause.
Essa é uma série de drama misturado com comédia. É algo que foge completamente dos esteriótipos e apresenta as pessoas como elas realmente são. Se você ainda não assiste Orange is the new black, por favor, é hora de entrar no netflix e começar a assistir!
PS: Você vai shippar MUITO Vauseman! <3

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Na Estrada Jellicoe - Melina Marchetta


Editora: Seguinte
Ano: 2016
ISBN: 8555340012
Páginas: 296
Nota: 4/5
A sua vida inteira pode ser revelada quando você menos espera.

Tudo o que você precisa saber é que existe uma guerra territorial. Na verdade, isso é tudo o que você deve saber. Bom, pelo menos no início. Existem três grandes grupos: os cadetes, alunos de uma escola militar, os citadinos e os alunos da escola Jellicoe - que são divididos em algumas Casas, cada uma com seu líder. Taylor acaba se tornando líder de uma delas e do grupo de alunos da escola Jellicoe. Tudo o que ela sabe é que sua mãe a abandonou em uma loja de conveniência e seu pai morreu. Desde então, vive nesse internato e considera Hannah a pessoa mais próxima que tem.
O fato é que as guerras territoriais são, na verdade, um background para uma história maior ainda. Enquanto Taylor lidera o grupo, Hannah some repentinamente e a garota fica um tanto quanto sem chão e desconfiando de todos. Tudo o que resta é o manuscrito escrito por Hannah, o qual Taylor lê sem parar.

"Raffaela me deixa sentimental, e não existe sentimentalismo na minha vida."

Esse é um livro sobre o qual não se pode citar muitas coisas sem dar spoiler, mas muita gente o considera bem parecido com Mentirosos. Sim, são dois livros parecidos quando se trata de reviravoltas. Porém, não acho que chegue perto de ser tão bom quanto o primeiro. Algumas surpresas eu consegui prever e outras já eram de se esperar. Em nenhum momento consegui ficar realmente em choque.

"No fundo, acho que isso sempre me deu uma certa segurança, porque ninguém abandona casas inacabadas."

Entretanto, amei o formato da narrativa. Não é algo linear e nas primeiras cem páginas é bem confuso. Deixa o leitor no escuro e sem entender muita coisa, porém tudo vai fazendo sentido aos poucos. Uma dica aqui, outra ligação ali. Talvez seja por isso que não fiquei em choque e também previ algumas coisas. A reviravolta não acontece de repente, ela é apresentada aos poucos para o leitor.

"Será que uma pessoa vale mais porque existe alguém sofrendo por ela?"

O que mais me incomodou, na verdade, não foi a falta de choque e surpresa e sim o fato de não ter conseguido me ligar com a protagonista. É muito gostoso ler e se envolver com os personagens, mas não consegui sentir nenhuma ligação muito forte com Taylor e nenhum outro. Isso sempre é uma coisa ruim, porque odeio ler o livro e não conseguir mergulhar de cabeça nele ou me apegar a alguém.

"Por que eu gostaria que uma pessoa fosse tudo para mim se um dia ela pode não estar mais por perto? O que vai ser de mim então?"

Em resumo, Na Estrada Jellicoe não conseguiu cumprir minhas expectativas altas, mas também não é um livro ruim. Amei diversos quotes e me identifiquei com alguns trechos. É um livro que te faz refletir muito mais do que querer desvendar mistérios. Bom, pelo menos pra mim foi assim. Então, sim, recomendo esse livro a todos os leitores! Porém aviso, não vá com tanta sede ao pote.

"(...) Talvez seja por isso que passei a maior parte da vida afastando-a de mim. Porque ser tão dependente das pessoas me assusta."

"Porque pessoas com tanta energia me dão muito medo. Elas me fazem querer ser uma pessoa melhor, e isso não é possível,"
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