quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Resenha: Six of crows - Leigh Bardugo

Editora: Gutenberg
Ano: 2016
ISBN: 9788582353820
Páginas: 376
Nota: 5/5

Arrisque-se e saiba que a morte pode ser silenciada.

Em meio a Ravka, Fjerda e todo esse universo criado por Leigh Bardugo fica o centro comercial de Ketterdam, onde tudo pode ser consegui pelo preço certo. Kaz Brekker sabe muito bem como fazer isso. Ele faz parte de uma gangue chamada Dregs e está acostumado com disputas territoriais, além de suas vinganças. Porém, algo muito maior acontece. Ele deverá unir uma equipe para sequestrar de volta o cientista responsável pela criação da jurda parem - uma droga que deixa os Grishas muito mais fortes e incontroláveis. Uma droga que pode gerar a morte. É nessa jornada que une um ladrão, um presidiário, um atirador de elite, um fugitivo, uma espiã e uma sangradora. Todos em direção a um único objetivo. Mas terminará ele com a morte?!

"Um segredo não é como moeda. Ele não mantém seu valor se você o gasta."

Quando soube que a trilogia Grisha teria um spin-off já fiquei meio pirada. Sabia desde o começo que Leigh Bardugo faria juz a minhas expectativas - e passaria todas elas. Assim que coloquei as mãos em Six of crows, entrei em um estado completamente diferente. Entrei naquele mundo novamente e respirei aliviada por estar tão perto de Ravka.

"A raiva tinha passado, foi como se alguma chama tivesse se apagado com ela. Seus olhos estavam mais frios do que ela jamais tinha visto, vazios de sentimentos ou traços de humanidade. Era isso que Hellgate tinha feito com ele. E a culpa era dela."

Inej é uma personagem que me marcou bastante. A tal Espectro é uma grande espiã, consegue entrar nos lugares sem ser vista, sem ser sentida. E seu passado conta muito na construção da sua personalidade. Acho que esse é o ponto chave. Todos ali possuem um passado. Todos possuem um motivo. Podem ser cobertos por um grande pano preto, mas estão ali. E é isso que fazem com que todos permaneçam juntos nessa jornada - embora estejam, por outra perspectiva, separados.

"Ela teve de rir de si mesma. Ela não desejaria amor para ninguém. Ele é como uma visita a quem você dava as boas-vindas e depois não conseguia se livrar."

Além do clima de suspense quanto ao re-sequestro - o cientista foi raptado por outro povo muito perigoso e está na Corte do gelo, um lugar quase impossível de entrar e pior ainda de sair - existe uma tensão entre todos os personagens. Todo mundo pode trair todo mundo a qualquer momento.

"Eu amava sua risada, Nina. E seu coração feroz de guerreira. Eu poderia ter te amado também."

Temos dois romances principais durante o enredo - apesar de shippar outros que não são propostos pela autora - e fiquei muito feliz com esse desenrolar. Não é aquela coisa melosa ou provocativa. É algo muito diferente. Envolve poder, dinheiro, traição, vingança. E um sentimento que me pareceu ser muito diferente de amor - de um jeito bom. Acho que o fato de não conseguir explicar faz com que mostre o quanto esses romances foram bem trabalhados. Eu odeio quando o livro de fantasia foca em romance. Odeio quando qualquer livro que poderia ser muito, vira pouco por focar em casais mesquinhos. Mas poderia ficar horas lendo as peripécias desses casais que não são casais. Tenho vontade de pedir para que todos os autores tenham aulas de "como criar um romance em uma história de fantasia sem ficar clichê ou enjoativo" com Leigh Bardugo.

"(...) Que, sem querer, ele tinha começado a se apoiar nela, a procurá-la, a precisar dela por perto. Ela precisava agradecê-la por seu novo chapéu."

Poderia falar um pouco de cada personagem, mas ficaria aqui eternamente e prefiro que cada leitor tire suas próprias conclusões. Cada um deles merece um pouco da sua atenção.
Mas uma coisa eu garanto. Leia Six of crows que suas expectativas serão até ultrapassadas. Depois de ler esse livro e terminar a trilogia Grisha tenho certeza: eu sai de Ravka, mas Ravka nunca sairá de mim. Obrigada mais uma vez, Leigh.

"(...) Eu quero que você fique. Eu quero que você... Eu quero você.""Você me quer." Ela parou e refletiu sobre as palavras. Gentilmente, ela apertou a mão dele. "E como você me teria, Kaz?"Ele olhou para ela, olhos ferozes, boca rígida. Era a expressão que fazia quando estava lutando."

PS: Obrigada apesar de eu querer estar te matando por causa desse final louco que me fez ficar mais louca ainda pelo segundo livro.
PS.2: Sim, Six of crows será uma dualogia.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

[SÉRIES] Stranger Things

Em Mountauk, Long Island, um garotinho chamado Will desaparece misteriosamente. Sua mãe e o xerife começam a procurá-lo. Porém, não são só eles que estão preocupados. Seus melhores amigos, Dustin, Lucas e Mike querem encontrá-lo o mais rápido possível. No meio de toda essa história, surge uma garotinha um tanto quanto estranha que atende pelo nome Eleven.


Quem pensa que Stranger Things é apenas uma série de suspense bobinha, se engana. O seriado une várias referências dos anos 80. Uma mistura de suspense bem trabalhado com uma história maravilhosa sobre amizade e lealdade que promete acalentar os corações e, ao mesmo tempo, fazer o espectador sair da cadeira ansioso para o próximo episódio.
O lado ruim é que a primeira temporada só possui oito episódios. Apenas oito chances. Oito cinquenta minutos. Isso é bem triste. Porém, devido ao sucesso da série, a segunda temporada será lançada em 2017!! Enquanto isso, nós ficamos na bad e criamos diversas teorias sobre o que poderá acontecer.
Confia em mim, vale a pena assistir! Para mim, o começo foi meio massante. Mas a partir do quarto episódio eu não consegui parar até chegar ao final!

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Roube sorrisos.


Você.
Aí mesmo.
Caro leitor,
Já parou para pensar no significado de um sorriso?! É, aquele sorriso. Quando a mandíbula se contrai, a boca se abre, os dentes aparecem. Um sorriso, leitor, vale mais que um diamante. 
É muito bom ter um sorriso roubado, não é?! Mas acredite em mim, é ainda melhor roubar um. Principalmente de quem você ama.

sábado, 30 de julho de 2016

Sobre os túneis pichados e a cidade imunda


A verdade é que não sei direito por onde estou andando. Algo me disse que esse túnel chegaria em algum lugar. Talvez não seja uma boa chegada, provavelmente vai combinar com a péssima partida. Parti. Apenas uma mochila bege pendendo em um dos ombros. Minhas sapatilhas já sujas por todas as vezes que andei por essa cidade imunda. A imundice inunda os bares, os becos e as casas. A sujeira vaza pelos narizes de cada indivíduo. Ninguém consegue se livrar dela. E eu tentei. Tentei limpar cada móvel. Tentei limpar cada cômodo da casa. Tomei mais de trinta banhos. Esfreguei a maldita esponja até a minha pele ficar vermelha. Vermelho cor de sangue. O sangue imundo que inunda o meu corpo agora. Não é mais algo visível. Talvez eu esteja andando em busca de redenção. Mas a verdade é que não me arrependo do meu ato. Reclamo da imundice mas acabo seguindo a linha da hipocrisia e me sujando também. Sujei-me de sangue, sim. Não nego. E agora, depois de limpa, ele permanece em minha memória. Minhas roupas denunciam uma garota de gênio forte, mas doce. Talvez o gênio forte tenha me feito tentar limpar um pouco da sujeira dessa cidade. E durante essa limpeza, tornei-me imunda. Agora busco por um lugar onde possa descansar. Não em paz, mas junto de todos aqueles que se sujaram como eu. Há alguém no fim do túnel, agora eu posso ver. Todas as luzes apontam para uma escada. Uma escada cheia de musgos. Uma escada completamente brilhante. Uma garota ruiva brinca em seus degraus. Eu estou a observando e caminhando em direção a ela. A garota derruba uma mochila bege. Nossos olhares se encontram. Eu sorrio. Ela derruba uma lágrima. E no meio de toda essa imundice, eu encontro alguém igual a mim. Tem sempre alguém te esperando do outro lado. 

Texto baseado na foto acima. Porque de repente, uma foto surge junto com uma história (ou um texto meio sem sentido) na cabeça do escritor. Dessa vez, não foi diferente. A foto é original do instagram da Sophia Abrahão. (sophiaabrahao)

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Resenha: O segredo de Ella e Micha - Jessica Sorensen


















Editora: Geração editorial
Ano: 2014
ISBN: 9788581301822
Páginas: 264
Nota: 3/5

O amor vai vencer?

O livro conta a história da protagonista Ella, que após a morte de sua mãe e um acontecimento envolvendo uma ponte, resolve fugir para Las Vegas e cursar a faculdade, deixando para trás a sua "vida antiga", junto com seu pai alcoólatra, seu irmão e Micha, seu melhor amigo - com quem vivia uma espécie de romance mal resolvido. Lá, ela faz uma nova amiga, porém essa amizade é concretizada após uma transformação completa de personalidade. A Ella explosiva, sombria e sarcástica passa a ser uma garota leve e calma. Entretanto, quando a protagonista volta para sua cidade natal e encontra Micha, é obrigada a reviver todo o passado e acaba aprendendo a encontrar um equilíbrio entre as duas personalidades. Ao longo do livro, a garota vai aprendendo a lidar com seus sentimentos. Além disso, o tal romance se desenvolve.

"Detesto espelhos. Não porque eu odeie o meu reflexo nem porque eu sofro de eisoptrofobia. Espelhos enxergam além da imagem. Sabem quem eu fui; uma garota que falava alto, negligente, que mostrava a todo mundo o que sentia. Não havia segredos. Mas, agora, eles me definem."

Não sei dizer muito bem se a história me agradou. É algo bem rápido de se ler, mas senti que foi o equivalente a nada. Apenas um romance de entretenimento completamente vazio. A história trata de temas pesados, como por exemplo, o suicídio, de uma forma extremamente sutil, leve e pior, superficial. A pior parte da história é narrada em praticamente um parágrafo e não há nenhuma mísera reflexão sobre isso. Ok, até existem reflexões e quotes que te fazem pensar. Mas sabe quando poderia ser mais?!

" – Toda vez que estou feliz, você sempre pergunta se estou bêbada ou algo parecido. As pessoas podem ser felizes sem a ajuda de certas substâncias. 
(…)
– A maioria das pessoas pode, mas nem todas."

O romance é extremamente clichê - mas isso eu já esperava - e surreal. Não consegui me identificar em nenhum momento e nem torcer para o casal principal. O casal secundário é muito mais interessante.
Apenas recomendo esse livro para aqueles que buscam algo para passar o tempo, pois não é nada profundo. Pelo contrário, é extremamente raso. Porém, divertido.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Fluorescente.


Ela estava esperando do outro lado do mar. Ficava se perguntando quantas ondas passaram no período de tempo em que ela estava ali, parada. E em um instante, em um piscar de olhos, a onda não era apenas uma onda. Parecia estar maior e mais brilhante. Fluorescente. Havia alguém ali no meio daquele túnel formado pelas águas. A garota, que antes tinha medo de se molhar, simplesmente entrelaçou suas mãos com os dedos que atravessavam as águas e se jogou. Foi um mergulho doloroso e só aconteceu porque ela se permitiu, por um instante, mergulhar. E foi contra seus medos. Simplesmente deu a mão para quem estava ali. E foi.
E se eu te dissesse que a onda me trouxe você?!

terça-feira, 5 de julho de 2016

A Rebelde Do Deserto - Alwyn Hamilton

Editora: Seguinte
Ano: 2016
ISBN: 9788565765992
Páginas: 312
Nota: 3/5

Que tipo de pessoa você é quando deixa alguém para trás?

Amani é uma das habitantes do deserto de Miraji. Seus pais morreram e agora a garota mora com a tia, porém sofre muito nas māos da única família que sobrou. Segundo as normas da sociedade, deverá casar-se com alguém bem mais velho em breve. Porém, Amani nāo aceita tais regras obsoletas e seu maior desejo é fugir para Izman, onde sonha em encontrar uma tia, amiga de sua māe. 
Enquanto isso, uma guerra acontece. Um príncipe rebelde que anuncia um novo deserto, uma nova aurora, novas regras e uma nova conduta. O exército gallan e do general estāo contra ele e os djinnis - humanos que possuem alguns poderes.


"Era muito difícil confiar num garoto com um sorriso daqueles. Um sorriso que me dava vontade de acompanhá-lo até os lugares sobre os quais havia me contado, mas ao mesmo tempo me deixava certa de que eu não devia fazer isso."

Em um concurso de tiroteio que Amani frequenta para ganhar dinheiro - vestida de menino, claro, denominando-se Bandido dos olhos azuis - ela conhece Jin. A partir daí, a trama se desenvolve. Ela acaba tendo que escolher muito bem em quem confiar e também quem abandonar. Além disso, uma reviravolta acontece e muda os rumos da história.

"Diziam que só pessoas mal-intencionadas andavam pela cidade de Tiroteio depois do anoitecer. Eu não tinha más intenções. Nem boas."

A trama é ágil, porém extremamente confusa. Não é um confuso saudável que, ao longo do livro, o leitor entende o universo criado e liga a história. É um confuso que permanece durante toda a narrativa e distancia o leitor do livro. O que é uma pena, pois o universo criado pela autora parece ser muito inteligente e foi apresentado de forma muito drástica, de maneira que não consegui entender praticamente nada.

"- Você é este país, Amani - ele disse, mais baixo agora. - Mais viva do que qualquer coisa deveria ser neste lugar. Toda feita de fogo e pólvora, com um dedo sempre no gatilho."

Além disso, muitos personagens foram inseridos na história e nenhum deles, além dos protagonistas, foram bem aprofundados. Isso deixou a narrativa rasa e meio sem sentido - uma vez que determinado nome aparecia uma vez e, quando aparecia de novo, já não sabia a quem ele pertencia.
Mas, tirando esse problema, tudo é bem dinâmico no livro e não te faz querer parar a leitura. Gostei da maneira como Amani foi desenvolvida, apesar de ter me irritado com ela certas vezes. Ela é uma protagonista forte e independente, sou apaixonada por personagens assim. Gosto de como ela deixa algumas pessoas pra trás, e depois passa a não deixar mais. A autora soube muito bem como inserir o sentimento dentro dela e como tudo a mudou. Esse crescimento com certeza é a melhor parte do livro.

"Eu tinha passado a vida sonhando que minha história começaria quando finalmente chegasse a Izman. Uma história escrita em lugares distantes com os quais eu nem sonhava ainda. No meu caminho até lá, eu me livraria do deserto até não sobrar nenhum grão de areia para marcar as páginas."

Não sei se recomendaria A Rebelde do Deserto, provavelmente não. Tenho uma certa dificuldade em lidar com enredos confusos, cheios de nome e pouca explicação. Também não tenho muita paciência de ficar anotando ou voltando nas páginas para ver quem é quem e coisa e tal. Mas, se você não se importar com essa confusão e complexidade e quiser tentar entender o mundo criado pela autora, te aconselho sim a ler A Rebelde do Deserto, por ser algo completamente diferente do comum no mundo literário.
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